A edição de 2024 do Fórum Internacional trouxe o painel sobre a importância do GNV para o cenário energético brasileiro, mediado por Adriano Nogueira, presidente do Sindestado do Rio de Janeiro. O debate contou com a participação dos especialistas Bruno Armbrust, sócio-fundador da ARM Consultoria, e Gabriel Kropsch, diretor-executivo do Comitê Nacional do GNV.

Durante a mediação, Adriano Nogueira lançou quatro perguntas-chave que ajudam a entender o papel do GNV no Brasil e sua atuação nos próximos anos. Confira:

1. Para onde vai o mercado de GNV no Brasil?

Os dois especialistas vislumbram uma expansão significativa nos próximos anos. Kropsch menciona vários projetos que devem fazer o Brasil deixar de ser importador de gás natural para se tornar autossuficiente na sua produção.

Hoje, a produção de GNV no país oscila entre 5,5 e 6,5 milhões de m³/dia. Projetos como o Rota 3, deve passar a produzir um volume de até 18 milhões de m³/dia, assim como o Campo de Bacalhau da Equinor vai adicionar mais 15 milhões de m³/dia, o Projeto Sergipe com 20 milhões de m³/dia e o Parque das Baleias com 12 milhões de m³/dia. Segundo previsão da Associação Brasileira do Biogás, a produção de gás natural deve chegar a 30 milhões de m³/dia em 2030.

Armbrust complementa que o GNV é um produto fundamental para a expansão e massificação do uso do gás, diminuindo a concentração e aumentando a concorrência.

2. O biogás já é economicamente viável?

Sim. Kropsch menciona que as grandes empresas têm investido no biogás e acrescenta que o biometano não é concorrente do gás natural, ele é concorrente do diesel na substituição do combustível no transporte pesado e do GLP na substituição do combustível industrial, servindo para complementar o gás natural. Armbrust também acredita que o biometano ajuda o gás natural na transição energética e que os investimentos e projetos de produção devem multiplicar.

3. Há chances de valores melhores para a revenda brasileira?

Para Adriano Nogueira, sim. Ele ressaltou que o alto custo do sistema de compressão para gás natural é o grande entrave nos postos. Segundo Kropsch, é uma questão de escala, já que o gás é muito competitivo com os combustíveis líquidos quanto à conversão do poder calorífico, ou seja, do rendimento do gás. E com mais competição, há mais dinamismo ao mercado.

Armbrust disse que já participou de projetos de financiamento de compressores para postos que não podiam fazer grandes investimentos. Depois de cinco anos de amortização do equipamento, este ficava para o posto, resultando num projeto muito bem-sucedido. A concessionária ganha com a movimentação do gás na sua rede e, para isso acontecer, é preciso ter um consumidor. Para ele, o GNV tem elasticidade para responder rapidamente ao meio de consumo com sinal de preço.

4. Como podemos transportar esse produto com competitividade?

No Brasil ainda não há um sistema de distribuição de gasodutos abrangente, mas Kropsch contou que nos Estados Unidos as pequenas produções de gás natural em campos terrestres abasteciam regiões do seu entorno em até 150 Km por caminhões, que transportam o Gás Natural Comprimido (GNC) e, com o tempo, as plantas foram se conectando.

Armbrust complementou que o mesmo já está acontecendo no Brasil, em cidades como Campos do Jordão, Teresópolis e Itaipava, com o chamado de gasoduto estruturante, que num primeiro momento transporta o gás comprimido em caminhões e numa segunda etapa a distribuidora constrói uma rede local, evitando que posto e cliente tenham que pagar pelo deslocamento. Na medida em que se cria uma cultura local, aumenta a massa crítica, viabilizando a construção de um gasoduto.

Qual é a sua visão sobre essa discussão? Cada edição do Fórum Internacional traz especialistas do mercado de combustíveis, conveniência e food service para transmitir conhecimento nos vários painéis e palestras que acontecem durante os três dias do evento, junto com a ExpoPostos & Conveniência. Lembrando que a próxima edição vai acontecer nos dias 08, 09 e 10 de setembro de 2026 no São Paulo Expo. Ficou interessado em saber quais as atrações do ano que vem? Então continue acompanhando a Newsletter para saber em primeira mão sobre os convidados e temas.